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Doctor Krypto
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Doctor Krypto
Doctor Krypto 24d

OS BRASÍLIDAS CANTO X.11 O VARÃO DA VERA CRUZ I Não canto as armas só dos navegantes, Que abriram mares nunca dantes vistos; Canto os varões de ânimos constantes, Nos dias mais escuros e imprevistos. Quando, entre os homens frágeis e inconstantes, Triunfam os enganos nunca vistos, Deus faz surgir, no tempo determinado, Quem guarda a Luz ao povo confiado. II Jazia a terra em longa servidão, Ao jugo da cobiça e da mentira; Vendera a antiga honra da Nação À voz que o vício em doce mel conspira. Já não pulsava em seu leal coração A Fé que toda a esperança inspira; Dormia a Cruz sob cinzas esquecida, Como se morta fosse a própria vida. III Esquecera os heróis de antigos dias, Que abriram com a Cruz novos caminhos; Que entre tormentas, fomes e agonias, Plantaram Deus em mundos tão distantes. Seu sangue fecundou as alegrias Das gerações futuras e constantes; Mas a memória, vencida pelo olvido, Fez pobre um povo outrora engrandecido. IV Então, por alta mão da Providência, Ergueu-se um Varão firme e destemido; Não lhe servia o ouro por ciência, Nem do poder buscava o vão partido. Levava por escudo a consciência E por espada o Verbo esclarecido; Sua riqueza era dizer Verdade, Sem vender alma alguma à falsidade. V Tremeram logo os tronos levantados Sobre os alicerces da injustiça; Moveram-se os antigos magistrados, Guardando o templo falso da cobiça. Chamaram contra o Justo os seus soldados, Vestidos com as vestes da justiça; E o Ódio, que jamais dorme ou descansa, Fez da Inveja sua fiel aliança. VI Das furnas onde habita o Leviatã Saiu a antiga Serpe envenenada; Cobriu de sombras a manhã cristã E fez da fraude lei sacramentada. A Fama, outrora dama cortesã, Vendeu-se à multidão desatinada; E arautos de alugado entendimento Mercadejaram o falso julgamento. VII Então desceu sobre os mortais flagelo, Que encheu de pranto os lares e cidades; Cobriu-se o céu de lúgubre nevoeiro E vacilaram muitas vontades. Uns viram nisso o braço justiceiro, Outros, somente humanas crueldades; Mas toda dor revela ao coração Quanto é pequena a força da ambição. VIII E não bastando o mal já derramado, Buscaram o Varão para acusá-lo; Vestiram o impostor de magistrado, Para, sem culpa, condená-lo. Fez-se do justo réu encarcerado, E do perverso digno de exaltá-lo; Talvez porque, nas eras decadentes, Se honrem mais os astutos que os valentes. IX Clamou o povo em lágrimas profundas, Mas poucas vozes ousaram defendê-lo; As bocas foram feitas moribundas, E muitos preferiram não dizê-lo. Assim prosperam épocas infecundas, Quando o temor domina mais que o zelo; Pois quem se cala ante a iniquidade Entrega o próprio cetro à falsidade. X Contudo, Deus, que escreve sobre a História Com letras que nenhum mortal alcança, Não mede o triunfo pela glória, Nem pela duração da confiança. O Tempo pesa os feitos na memória, E a Justiça não perde a esperança; Porque a Verdade, ainda perseguida, Jamais conhece o fim da própria vida. XI Podem ruir impérios poderosos, Podem calar profetas na prisão, Podem sorrir os homens orgulhosos Enquanto vence a fraude e a corrupção; Mas surgem sempre espíritos briosos Que Deus desperta em cada geração; E enquanto houver um peito fiel à Cruz, Jamais se extinguirá a eterna Luz. XII Ó Pátria, lembra enfim tua origem santa, Teus mártires, teus templos, tua memória; Nenhum povo sem Fé jamais levanta Duradouro edifício de vitória. Quem sobre a mentira se agiganta Será vencido pela própria história; Pois reina acima do querer humano O Justo Juiz, eterno e soberano. Para acompanhar OS BRASÍLIDAS desde o início acesse: https://epopeialusobrasileira.substack.com/p/os-brasilidas https://epopeialusobrasileira.substack.com/p/os-brasilidas?r=19q9mf&utm_medium=ios

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